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Entrevista: Greta Van Fleet e o peso do rock setentista nos anos 2020

29 de abril de 2022


Por Bernardo Araujo


Como se não bastasse a reclusão causada pela pandemia, a volta do Greta Van Fleet aos palcos sofreu um revés logo que começou: depois de apenas três shows, em março, o guitarrista Jake Kiszka contraiu pneumonia e teve que ser internado, causando o cancelamento de algumas datas. Foi um susto, a banda teve que voltar para casa, mas depois de algumas semanas de repouso e tratamento tudo estava bem: no último dia 27, o jovem quarteto do Michigan abriu o primeiro dos seis shows que fará com o Metallica pela América do Sul, em Santiago, no Chile. Além da capital chilena, os irmãos Kiszka (com o amigo Danny Wagner na bateria) abrem os shows do gigante do metal em Buenos Aires, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, com uma fugida para um show solo no Qualistage, no Rio, no dia 3 de maio, terça-feira, às 20h, com abertura do Francisco, El Hombre. – Foi uma chateação – admite o baixista Sam Kiszka, de 23 anos, irmão mais novo dos gêmeos Josh (vocais) e Jake. – Mas a única maneira de estarmos prontos para passar o ano na estrada era deixando Jake levar o tempo que fosse necessário para se curar. Pelos vídeos do show em Santiago, a banda toda estava em ótima forma, e feliz de voltar aos palcos. – Usamos a pandemia para refletir, gravar, pensar no que conquistamos, aonde chegamos – filosofa ele. – Conseguimos concluir e lançar “The battle at Garden’s Gate” (segundo disco da banda, de 2021). Esperamos nunca mais ver uma emergência sanitária global como a pandemia, mas acho que fizemos o melhor com o tempo que tivemos. Depois de gramar pelos pequenos palcos do Michigan e onde fosse possível tocar, o Greta Van Fleet lançou seu primeiro disco em 2018, “Anthem of the peaceful army”, quando os gêmeos Jake e Josh tinham apenas 22 anos, e Sam só 19. A banda tomou o mundo do rock de assalto com seu rock setentista, comparado por muitos ao Led Zeppelin. “Como assim uma banda de rock jovem?”, pensou o mundo.


– O rock nunca deveria ser mainstream – diz ele. – Houve um momento em que ele estava no auge da popularidade, mas rock é para o underground mesmo. Aquele sucesso dos Beatles, Rolling Stones, não devia ter acontecido como um movimento pop, e foi isso que os tornou tão legais. Embora “The battle at Garden’s Gate” tenha tido boa performance nas paradas, Sam jura que não dá a mínima para isso. – São apenas números que refletem um business – define. – Nós tentamos, com a nossa música, mexer com as pessoas, despertar nelas a vontade de ir para a rua, de conquistar seus objetivos. É diferente. Também na contramão do business, Sam – como é comum entre os roqueiros – prefere os álbuns inteiros aos singles, tão em voga hoje em dia. – É claro que o nosso disco tem dois ou três singles, mas o trabalho inteiro é muito mais interessante, profundo – analisa. – Eu adoro ouvir uma música no rádio, no streaming ou em qualquer outro lugar e ir atrás do disco, ouvi-lo inteiro. Aliás, as plataformas de streaming simplificaram muito a vida nesse sentido. Essa devoção do fã de rock é algo que o anima ainda mais para os shows com o Metallica. – Eu não sou propriamente um fã de heavy metal – confessa. – O som do Metallica é muito mais pesado do que o nosso, mas isso é legal, ver como as pessoas têm a cabeça aberta para ouvir bandas diferentes. O que vale é gostar de música. Um amor que, pelas lembranças dele, não falta aos cariocas e aos brasileiros em geral. – As pessoas piraram quando fomos tocar aí (em 2019)! – lembra ele. – Todo mundo pulava e cantava tudo, e essa vibe voltava para nós. Foram shows eletrizantes.