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O dia em que a música morreu faz 60 anos

‘O dia em que a música morreu’ acaba de fazer 60 anos. Foi como ficou conhecido o fatídico 3 de fevereiro de 1959. Naquele dia, um  acidente de avião levou embora do planeta, de uma só tacada, três dos maiores talentos da primeira fase do rock and roll dos anos 50.

Foi a última viagem de Charles Hardin Holley. No mundo da música, Buddy Holly. Autor de sucessos como ‘Peggy Sue’ e ‘That’ll Be The Day. Fim da linha também para Richard Steven Valenzuela, o inesquecível Ritchie Valens, de ‘La Bamba’. Jiles Perry Richardson, The Big Bopper, criador de ‘Chantilly Lace’, não ficou para trás.

Os músicos excursionavam na turnê ‘The Winter Dance Party. A ideia era cobrir 24 cidades do centro-oeste dos Estados Unidos em três semanas, de 23 de janeiro a 15 de fevereiro de 1959. Só que os três não se ligaram nos problemas de logística.

Uma das dificuldades era o tempo gasto durante as viagens. A distância entre os locais dos shows não foi levada em conta quando a turnê foi organizada. Outro problema era o ônibus usado para transportar os músicos. O sistema de aquecimento quebrou pouco depois do início da turnê.

Um concerto em Clear Lake, Iowa – o ‘The Surf Ballroom’ –  não estava previsto na excursão. Mas os organizadores, esperando incluir mais datas, acertaram uma apresentação para o dia 2 de fevereiro, uma segunda-feira.

Ao chegar ao local, Buddy Holly, frustrado com o ônibus da viagem, disse aos colegas de banda que, após a apresentação, tentaria fretar um avião para seguir adiante com a turnê. A etapa seguinte seria uma apresentação em Moorhead, Minnesota.

Ritchie Valens, que nunca tinha viajado de avião, pediu o lugar de um dos músicos de Buddy Holly na aeronave. O teco-teco era um Beechcraft Bonanza com capacidade para apenas três passageiros, além do piloto. O músico Tommy Allsup respondeu ao  cantor de ‘La Bamba’ que a questão seria decidida no cara ou coroa. O radialista Bob Hale, que naquela noite trabalhava como DJ, jogou a moeda para o ar. Ritchie Valens ganhou. Ficou com a vaga no avião. Allsup, derrotado no cara ou coroa, ficou vivo.

 Pouco depois da decolagem, o avião acabou caindo num milharal. As investigações concluíram que uma combinação de erro humano com mau tempo causou a tragédia. Ritchie Valens tinha apenas 17 anos. Buddy Holly, 22, e The Big Bopper, o mais velho, 28 anos.

Em 1987, a vida de Valens foi retratada no filme ‘La Bamba’. A canção título, cantada por Los Lobos, chegou ao topo das paradas de sucesso. Em 2001, Valens foi postumamente incluído no Hall da Fama do Rock and Roll.

Buddy Holly influenciou artistas como Bob Dylan e os Beatles. Não é à toa que a primeira gravação amadora feita em estúdio pelos então adolescentes John Lennon, Paul McCartney e George Harrison foi That’ll Be The Day.

The Big Bopper começou como um DJ no Texas e mais tarde passou a compor. Sua gravação mais famosa é o rockabilly ‘Chantilly Lace’, que entrou nas paradas de sucesso.

A tragédia que interrompeu a carreira dos três jovens músicos acabou inspirando o cantor Don McLean a compor a canção ‘American Pie’, que inclui o verso ‘o dia em que a música morreu’.  É bem verdade que McLean sempre evitou responder a perguntas específicas sobre o significado da letra. Mas confirmou que ficou sabendo da morte de Buddy Holly quando trabalhava como entregador de jornais na manhã de 3 de fevereiro de 1959. O compositor faz referência a isso no verso ‘February made me shiver / with every paper I’d deliver’ — ‘fevereiro me dava calafrios / a cada jornal que eu entregava’.

Ele também afirmou em 2009, por ocasião da passagem de meio século do desastre aéreo, que compor o primeiro verso da canção exorcizou a tristeza que ainda sentia pela morte de Holly. Melhor assim. Passados 60 anos, apesar da saudade do que a música poderia ter sido se Holly, Valens e Bopper ainda estivessem por aqui, o certo é que música – seja ela qual for – não morre jamais.

Por Antonio Couto Ribeiro