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Badfinger: do sonho ao pesadelo, mas ainda nas ondas do rádio

Certos artistas têm o estigma de deixar pegadas profundas no mundo da música sem conseguir levar adiante a caminhada luminosa com que sonharam. Com uma ou duas canções de sucesso, alcançam uma ‘imortalidade efêmera’, se é que isso faz sentido, e nela permanecem congelados. As gerações se renovam e essas poucas canções acabam trancadas no sótão do esquecimento, desbotadas. A menos que o rádio entre em ação e pegue as chaves debaixo do tapete para reabrir as portas e deixar o sol entrar. Mais ou menos como a Rádio Cidade fez com o Badfinger, uma dessas bandas de vida curta do fim dos anos 60, início dos 70. Duas pérolas da banda estão na grade da programação: ‘No Matter What’ e ‘Day After Day’. Ouvir novamente esses hits tem emocionado velhos fãs. Também ouvintes mais jovens, que não conheciam as canções, não escondem a surpresa e o encantamento.

Mas quem é Badfinger? A história dessa banda britânica começou como um sonho. Mas teve um fim trágico. Batizado inicialmente como The Iveys, o grupo mudou de nome e chegou ao topo na Apple Records – nada mais, nada menos do que a gravadora dos Beatles. Como se não bastasse, quando ainda se chamava The Iveys, a banda ganhou de presente a música ‘Come And Get It’, de Paul McCartney, que chegou a figurar entre as quatro mais vendidas na Grã-Bretanha. Mas não ficou só nisso. O Badfinger ainda viveu a glória de ter outro beatle, George Harrison, entre os produtores do álbum Straight Up, no fim de 1971, que também alcançou boa vendagem.

Mas o vento começou a mudar em 1975, um ano depois que a banda assinou com uma nova gravadora. Para encurtar uma história triste, o que aconteceu foi que um dos líderes do Badfinger, Pet Ham, não aguentou a barra dos atritos e das pressões que invariavelmente aparecem junto com a fama e deu fim à própria vida. Outro músico de destaque no grupo, Tom Evans, seguiu o mesmo caminho e, em 1983, enfrentando profundo estado de depressão, também decidiu deixar o planeta por conta própria. Além da lembrança, ficaram as canções irresistíveis dessa banda que teve um brilho fugaz, como o de uma estrela cadente, mas que nunca vai se apagar enquanto as ondas do rádio se propagarem pelo universo derramando música pelos tempos afora.

Por Antonio Couto